Cristo Jesus, a razão da nossa união

1ª Coríntios 1.10-17.
Existem muitas coisas que nos dividem, causam separação entre nós.
Cada um tem um time de futebol e o amor pelo time causa, às vezes, separação entre nós, até entre irmãos em Cristo. O que muitas vezes esquecemos é que há algo maior que nos une, a paixão pelo futebol.
Não é à toa que existe pizza meio a meio: algumas pessoas gostam de pizza de aliche e outras de frango com catupiry. Não é necessária uma discussão por causa disso, porque o que nos une é o amor pela pizza.
Às vezes as nossas divisões são denominacionais: Batistas, Presbiterianos, Assembleianos, Pentecostais e Tradicionais. Nós nos apegamos às formas e esquecemos que na essência somos todos filhos de Deus, salvos por Cristo Jesus, é isso que nos une. 
Em Corinto, havia divisões e não eram por gosto de time de futebol, nem uma divisão eclesiástica externa, era dentro da igreja. Isso foi algo que desagradou muito a Deus e, por isso, Paulo vai escrever os 4 primeiros capítulos dessa carta para orientar essa igreja sobre as questões referentes às divisões e propor um modelo de unidade. 
O relato dessas divisões e discórdias que havia entre eles vinha da casa de Cloé, uma irmã daquela igreja. V.11.  Um dos problemas da falta de união na Igreja é que ele é percebido por todos e até pelos de fora. 
É por essa razão que Paulo vai usar uma expressão muito forte aqui: ele roga, clama, suplica que aqueles irmãos falassem a mesma coisa, tivessem uma fala afinada, concordando uns com os outros com respeito a quem eles eram. 
O comentário Moody faz a seguinte referência: “Sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental. É usada uma palavra grega versátil, que se refere ao ajustamento de partes de um instrumento, na colocação dos ossos no lugar, feita por um médico, no remendar de redes (Mc. 1:19), como também com referência ao preparo de um navio para uma viagem. Ajustamento, tendo em vista a união, é o apelo.” 
Entre outras palavras, vocês são diferentes sim, mas afinem as suas diferenças em um mesmo tom. Encaixem-se para que não haja quebraduras no corpo. Sejam unidos para que a vossa rede seja o mais eficaz possível. 
Percebam como a dissonância no seio da igreja a torna improdutiva ou com uma produção deficitária, por isso Paulo tem esse tom imprecativo. E ele rogava para que eles possuíssem o mesmo modo de pensar e o mesmo discernimento. 
Paulo é muito didático e confrontativo, pois ele dá nome ao problema. Essas divisões e contendas eram causadas por causa das preferências, do gosto de cada grupo e sempre que formos discutir gosto, vamos ter divisões. 
Havia certamente os simpatizantes de Paulo, afinal de contas ele fora o fundador desse igreja. 
Outros gostavam de Apólo. Esse irmão, por causa da sua formação Alexandrina, possuía uma pregação mais eloquente, uma retórica mais bem trabalhada, as pessoas gostavam de ouvi-lo. 
Outros estavam dizendo: eu sou de Cefas, de Pedro. Esse grupo era um grupo mais tradicional e queria ficar ligado às tradições de Jerusalém, possivelmente judeus convertidos.
O último grupo possuía um ar de espiritualidade, pois eles eram de Cristo. O problema por trás dessa frase é que eles não queriam seguir a ninguém, não aceitavam a autoridade de nenhum homem. 
Tudo isso estava causando divisões na igreja. Preferências não são pecaminosas, desde que elas não nos levem a pecar. 
Quero caminhar para a conclusão fazendo 3 afirmações baseadas nas 3 perguntas de Paulo:

  •  Cristo não está dividido 

Jesus não é de divisões, pelo contrário, é por causa dele que fomos unidos. Unidos com Deus, com o Espírito Santo e com Ele. 
É em Cristo que temos a união uns com os outros. Cristo não está dividido. O próprio Paulo escrevendo aos Efésios capítulo 4.1-6 vai mostrar que há um só Corpo, um só Espírito, uma só esperança, uma só fé, um só Senhor...
Se estamos divididos, não estamos em Cristo ou, no mínimo, não estamos agindo como quem está em Cristo deve agir.

  • Foi Cristo quem morreu na Cruz 

Essas perguntas que Paulo faz são retóricas e muito absurdas, mas ele faz propositadamente. Eles sabiam que Cristo havia morrido na Cruz para salvá-los e não Paulo. Se foi Cristo que morreu, foi ele que pagou o preço, então tudo é dele, por direto de criação, porque ele é Deus e por direito de vitória, porque Ele derrotou a morte, ele é a pedra angular, conforme Efésios 2.19-21.
A igreja é de Cristo,  não é de mais ninguém, tão somente dele. 
Outra afirmação que nos mostra isso é que: 

  • O nosso batismo é em nome de Jesus

Paulo vai inclusive dizer que não havia batizado muitos ali. Provavelmente havia um certo orgulho por ser batizado por alguém importante, mas isso não ganha destaque com Paulo, pois para ele o importante era pregar o evangelho. O batismo era uma consequência daqueles que iriam crer na Palavra. V.17.
Além do mais, o batismo, mesmo feito por Paulo, era em nome de Jesus. Essa expressão conotava na época propriedade. Um escravo que fosse vendido era vendido em nome do seu senhor, um soldado que jurava em nome de César deveria fidelidade a CÉSAR por toda a vida.
O batismo é em nome de Jesus por duas razões: primeiro, foi a ordenança dada por ele próprio de que as pessoas deveriam ser batizadas em nome de Jesus (Mateus 28. 18-20); segundo, porque batismo é a nossa identificação com Cristo, simbolizando a nossa morte e ressurreição para uma nova vida em Cristo Jesus. 
Então, se Cristo não está dividido, foi ele quem morreu por nós e somos suas propriedades. Nenhum homem deve tomar o lugar dele. Por mais importante que alguém seja, o lugar de proeminência deve ser de Jesus Cristo, O Senhor. 
Cristo Jesus é a razão da nossa união, por isso: 

  • Preferências são permitidas, desde que não levem à desunião; 
  • Glorie o Deus do homem e não o homem;
  • Reconheça as qualidades das pessoas, mas não as idolatre;
  • Repreenda qualquer um que queira semear a discórdia no meio do povo de Deus;
  • Não seja um semeador de discórdia, mas sim um cultivador da Paz.

Porque a Igreja é de Cristo, comprada, fundada, sustentada e guiada por Ele, e nós apenas meros cooperadores de Cristo Jesus, nosso Senhor. 

Rodrigo Silva