A Vinha, a videira e os ramos do Senhor

Mensagem: O povo de Deus na antiguidade tinha, assim como a Igreja de Jesus na atualidade tem, as condições e os recursos necessários para produzir bons frutos, frutos que agradam a Deus.

I. Introdução

A. Recordando

Na 3ª mensagem desta série, “O Dia do Senhor”, Isaías 2:1-4:6, vimos que “no Dia do Senhor só Ele será glorificado, e os que confiaram Nele terão júbilo e salvação, mas será tempo de terror e condenação para todos que O rejeitaram”.

B. Mensagem de hoje – “A vinha e as videiras do Senhor”.

“Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos é a nação de Israel, e os homens de Judá são a plantação que ele amava…” (Is 5:7).

“… Ele esperava justiça…” (5:7), justiça, juízo (‘mishpâṭ’), esta palavra está muito relacionada com governo, autoridade, processo judicial…, arraigado no caráter de Deus ; “… Esperava retidão…” (5:7), justiça e ou retidão (‘tsedâqâh’)… Justiça, conformidade a um padrão ético ou moral, e esse padrão é natureza e a vontade de Deus; Retidão, fazer o que era reto estava ligado à obediência aos mandamentos e a aliança divina.

“… Por que veio a produzir uvas bravas, quando eu esperava que desse uvas boas?” (Is 5:4).

O povo de Deus na antiguidade tinha, assim como a Igreja de Jesus na atualidade tem, as condições e os recursos necessários para produzir bons frutos, frutos que agradam a Deus.

II. Israel e Judá – povo de Deus na antiguidade.

“Vinha”, vv. 1,2 – vinha muito favorecida, pela natureza e o trabalho divino.

Estava numa encosta ensolarada, solo fértil, terreno limpo, vigiada e com as melhores videiras… Tinha todos os cuidados e condições para dar bons frutos.

Israel era a vinha, e os homens de Judá a plantação (v. 7)… Deus era o proprietário, o agricultor.

“Videira” é uma das figuras usadas no AT como ilustração do povo de Israel. Israel a videira que Deus trouxe do Egito e plantou no solo que tinha sido preparado especialmente para ela. A expectativa era que desse bons frutos, pois havia todas as condições e os recursos necessários. Mas, deu maus frutos (cf. Sl 80:7-19).

“… Por que veio a produzir uvas bravas, quando eu esperava que desse uvas boas?” (Is 5:4).

Os maus frutos (os “ais”, que expressam a condenação divina – Is 5:5,6, 24-30, aos quais já nos referimos na 2a. Mensagem desta série, e que agora vamos apenas citar):

1.  Acumulo egoístico de bens e riquezas, vv. 8-10 (Lv 25:23-28).

Pessoas sem amor ao próximo, sem preocupação com o pobre e o necessitado…

Lc 3:7-14; Is 1:17; Hb 13:16; 1 Jo 3:16,17.

2.  Hedonistas e bêbados, vv. 11-17 (Is 1:3; Os 4:6-11)

Pessoas que vivem na busca do prazer pelo prazer como um dos maiores objetivos de sua vida… Dominadas por toda sorte de vícios, vivendo em festas como não estando nem aí para a seriedade da vida, o conhecimento de Deus, Sua glória – Seu Reino e Sua justiça, Sua obra e Seus propósitos.

Mt 6:33; 1 Co 10:31

3.  Blasfemos, v. 18 (Ez 12:21-28)

Pessoas que vivem Desafiando Deus, zombando dele e da Sua palavra, vivendo sem o temor a Deus.

Ec 12:13,14; Rm 11:22; Gl 6:7,8.

4.  Falsificadores da verdade, v. 20 (Is 30:1; 9-11).

Pessoas que pervertem as categorias morais básicas, que chamam errado ao certo, e certo ao errado…

Jo 8:31,32; Jo 17:17; Ef 4:15.

5.Orgulhosos, v. 21 (Is 1:10; 5:24)

Pessoas que viviam rejeitando a verdade, a instrução divina, sendo independentes e auto suficientes de Deus.

Pv 3:5-10; 1 Pe 5:5,6.

6.  Maus administradores da justifica, vv. 22,23.

Pessoas que vivem na prática do suborno, que defendem o culpado e condenam o inocente.

Rm 13:3,4; Tg 5:1-6.

“… Por que veio a produzir uvas bravas, quando eu esperava que desse uvas boas?” (Is 5:4).

“Agora, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, peço-vos que julgueis entre mim e a minha vinha” (Is 5:3).

Por causa dos maus frutos Deus manifestou a Sua ira (Is 5:5,6, 24-30), usando um outro povo, uma outra nação como instrumento divino para castigar… Assíria foi um dos  instrumentos para castigo, disciplina do Senhor, conforme vemos no livro de Habacuque.

O povo de Deus na antiguidade tinha, assim como a Igreja de Jesus na atualidade tem, as condições e os recursos necessários para produzir bons frutos, frutos que agradam a Deus.

O apóstolo Paulo em Romanos 9-11 nos revela que Deus ainda tem um plano para Israel como nação; mas, a Igreja é povo de Deus na atualidade.

1 Pe 2:9,10 “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;  vós que outrora nem éreis povo, e agora sois de Deus; vós que não tínheis alcançado misericórdia, e agora a tendes alcançado”.

O povo de Deus na antiguidade tinha, assim como a Igreja de Jesus na atualidade tem, as condições e os recursos necessários para produzir bons frutos, frutos que agradam a Deus.

III. Jesus Cristo e a Igreja – os verdadeiros discípulos de Cristo…

Jo 15:1-8 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que está em mim e não dá fruto, ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós sois os ramos.Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanece em mim é jogado fora e seca, à semelhança do ramo. Esses ramos são recolhidos, jogados no fogo e queimados. Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será concedido.  Meu Pai é glorificado nisto: em que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”.

O Pai é o “viticultor”, “agricultor”…

Jesus é a “videira” genuína – a “videira” não é a igreja, não são os pastores, os Grupos Pequenos, não é o louvor, a oração, o status social, as habilidades, os recursos financeiros etc. A verdadeira videira é Jesus Cristo…

A Igreja, os discípulos de Jesus Cristo são os “ramos”, que recebem vida e força de Jesus, a “videira”…

Jesus é a única fonte de vida abundante – que satisfaz completamente, da vida eterna, do estilo de vida que agrada a Deus.

O versículo 2 é de difícil compreensão, e pode dar a entender que o filho de Deus perde a salvação (“Todo o ramo que está em mim e não dá fruto, ele o corta…”); mas no versículo 6 fala-se em “ramos” que não permanecem, por isso não produzem

Dois tipos de ramos: os ramos que não dão fruto (v. 2, 6); e, os ramos que dão fruto (v. 6, 8).

Ambos os grupos têm contato com Jesus…

Os ramos que dão fruto são crentes, discípulos de Cristo, que permanecem Nele…

“… Todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto”, v. 2. Limpa, tirando os ramos infrutíferos, para que dê mais fruto.

“Permanecer” em Cristo (v. 4; 1 Jo 3:24; Jo 8:31,32) é ter comunhão, relacionamento com Ele; vida de obediência em comunhão com Ele, como resultado da fé Nele como único e suficiente Senhor e Salvador – Sua morte pelos pecados, e ressurreição dentre os mortos.

Mas quem são os ramos que não dão fruto? É uma questão de difícil solução…

Creio que “ramos que não dão fruto” são pessoas como Judas (Jo 13:21-30; 1 Jo 2:19,20), que tiveram contato com Jesus, mas não tiveram vida eterna Nele… Pessoas religiosas, com um relacionamento superficial com Jesus, mas sem experiência real da conversão, do novo nascimento…

Mt 7:16-23 “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.  Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramemnte: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”.

Mt 3:8 “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”.

2 Co 13:5  “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados”.

Tg 2:17  “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.”

Jesus afirma categoricamente “quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto…”, Jo 15:5.

Ef 2:10  “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas”.

Meu Pai é glorificado nisto: em que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”, Jo 15:8.

Conclusão

a) Deus nos escolheu – (Is 5:7), Ef 1:12,13 (a soberania de Deus na salvação…).
b) Deus espera de nós bons frutos

“… Por que veio a produzir uvas bravas, quando eu esperava que desse uvas boas?” (Is 5:4).

Meu Pai é glorificado nisto: em que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”, Jo 15:8.

“Fruto” – orações respondidas (F. F. Bruce; Ryrie), v. 7. Deus é glorificado nas orações respondidas.  Israel, orações não respondidas por causa do pecado, Is 1:15; 59:1-4, 12,13; vida semelhante a Cristo, Gl 5:22,23 (o fruto do Espírito).

Mq 6:8 “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?”

1.  Pratiques a justice.

Devemos promover a justiça; dar a todos os que lhes é devido, conforme a nossa relação e obrigação para cada um; não tratar mal os outros por questões raciais, sociais, econômicas etc.; fazer o bem ao necessitado e desamparado, ao pobre…

2.  Ames a misericórdia (benevolência).

Termos prazer nela, como o nosso Deus tem, devendo estar felizes por cada oportunidade de fazer o bem, e fazer com alegria. A justiça é colocada antes da misericórdia, pois não devemos ajudar outros com recursos obtidos desonestamente, ou deixando de pagar as nossas dívidas. Deus tem prazer nos recursos obtidos honestamente, e que são repartidos para ajudar outros em suas necessidades…

3.  Andes humildemente com o teu Deus.

Isso inclui a pratica da justiça e o amar a misericórdia, assim como todo o nosso viver.  Nós devemos tornar o Senhor Deus da Aliança, o nosso Deus, e viver para o Seu agrado em todos momentos, em todas as áreas e circunstâncias da nossa vida.

Enoque andando com Deus é interpretado (Hb11:5,6) como agradando a Deus. Temos, em todo o curso da nossa vida, conformar-nos à vontade de Deus, manter a nossa comunhão com Deus, examinar e aprovar a nós mesmos para ele em nossa integridade; e isso nós devemos fazer com humildade (submetendo a nossa mente as verdades de Deus, e a nossa vontade aos Seus propósitos e providências);  temos de nos humilhar para caminhar com Deus, cada pensamento dentro de nós tem que ser posto em obediência a Deus, se quisermos caminho de modo que O agrada. (Matthew Henry`s Commentary)

Isto é o que Deus exige, e sem isto os serviços que prestamos a Deus, por mais caros e ou mais aparentem espiritualidade são ofertas vãs (como vimos na 2ª. Mensagem desta série “Esforços Inúteis”).

c)Deus cuida de nós (Is 5:2, concede as condições e os recursos necessários):

  • Espírito Santo (Ef 1:13,14; Gl 5:16, 25);
  • Bíblia – palavra de Deus (Jo 15:3; 17:17);
  • Igreja – corpo de Cristo (Hb 10:19-25) – exercício da mutualidade, “uns aos outros” é importante manter inabalável a confissão da nossa esperança em Cristo.

 

IsaíasNova Aliança