Uma dura repreensão

1ª Coríntios 4.6-14
Se tem uma coisa que poucas pessoas toleram é gente orgulhosa. Mas nós corremos um sério risco de ficarmos orgulhosos. Isso acontece por algumas razões: 

  • Possuímos coisas que julgamos ser importantes.
  • Conhecemos pessoas que julgamos ser importantes. 
  • Fazemos coisas que julgamos seras melhores. 

Não há nenhum problema em ter, conhecer ou fazer. Pelo contrário, dependendo de como você lida com o que tem, conhece ou faz, isso pode ser uma bênção de Deus para abençoar a sua vida e de outras pessoas. 

E por que corremos esse risco? A razão é simples:

  • Nós temos coisas que realmente são importantes. 
  • Conhecemos pessoas importantes. 
  • Fazemos coisas boas. 

O fato então é como lidamos com isso. Qual importância damos para essas coisas e pessoas? O quão importante achamos que somos porque realizamos algumas tarefas com excelência? A maneira como administramos isso é que vai dizer se somos orgulhosos ou não. 

A igreja de Corinto possuía coisas importantes, havia em seu meio pessoas importantes e eles faziam coisas boas. O problema é que tudo isso subiu à cabeça deles. Eles valorizavam muito umas pessoas em detrimento de outras, (V.6) alguns que possuíam mais posses eram melhores tratados do que quem possuía menos. Eles não estavam vivendo em conformidade com a Palavra (v.6).

Por essa razão Paulo vai repreende-los fortemente e traze-los à razão com três afirmações, a primeira é que:

1. Ninguém é diferente de ninguém. V.6-7.

Paulo termina o verso 6 alertando fortemente, ninguém se infle, fique cheio de si por causa de alguém e principalmente, não façam isso colocando o outro abaixo. Literalmente é isso que Paulo está dizendo. 

Aqueles irmãos, para exaltar as qualidades de uns, rebaixam outros e não faziam isso para exaltar os indivíduos, faziam para se exaltar, encher-se a  si mesmo. 

No inicio do verso 6, Paulo diz que usou a ele e a Apolo apenas figuradamente, ele sabia que haviam muitas outras disputas entre eles e os nomes eram outros. 

Ele faz isso por duas razões, primeiro para não gerar constrangimento, porque a leitura da carta era pública. E segundo, porque ele queria se colocar como exemplo, ou seja, vocês não devem se inflar em nosso nome e nem denegrir a outro por causa do nosso nome. E por uma simples razão: somos todos iguais. 

Ele inicia o verso 7 fazendo uma pergunta: “o que te torna diferente?”ou como está traduzido na R.A. “quem é que te faz sobressair?” literalmente poderíamos dizer: por que você se julga superior aos outros?

Paulo, como um sábio que era, faz perguntas que levariam aqueles irmãos a pensar e a chegarem à conclusão que ele queria. Ele diz: se você tem algo é porque recebeu de alguém e se recebeu não há mérito nisso, logo não há do que se orgulhar. 

Aqueles cristãos, assim como nós, precisavam saber que tudo que temos, somos ou fazemos é por causa de Deus, da Obra de Cristo e da ação do Espírito Santo. Recebemos a salvação gratuitamente, fomos perdoados sem merecer, fomos feitos filhos por meio do Filho, somente essas coisas já são motivo suficiente para não mantermos nenhum sentimento de orgulho, mas tão somente de humildade e gratidão. 

Ele já havia dito que tudo era de Deus. 1ª Coríntios  3.21-23.

Paulo escrevendo aos Romanos capitulo 11.33-36 diz isso:

Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos!"Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? ""Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? "Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.

Mas então por que agimos assim? A resposta a essa pergunta é a segunda afirmação.

2. Ninguém tenha um conceito errado de si mesmo. V. 8-10. 
Aqueles irmãos não haviam entendido o que é o evangelho, talvez eles não tinham a noção do que era seguir a Jesus, como muitas estrelas do mundo gospel atual. 

Paulo vai ser bem irônico e fazer afirmação irônicas com respeito aos irmãos daquela igreja. Ele diz:

  • Vocês estão satisfeitos, não precisam de mais nada.
  • Vocês estão ricos, não tem necessidade de mais nada. 
  • Vocês são reis, não precisam de mais ninguém. 

Mas na verdade toda aquela satisfação, riqueza e poder eram vazios e falsos, porque Paulo diz que se eles realmente fossem reis, ele Paulo, estaria reinando com eles. Em outras palavras, vivendo uma vida melhor. Mas não, ele retrata a dura realidade de um apóstolo no primeiro século.  V.9. 

Ele usa uma figura muita conhecida daqueles irmãos, muitas vezes homens eram colocados para combater até a morte nas arenas, por vezes a luta era contra leões e a morte era certa. Aquilo tudo era um espetáculo para o mundo da época e era assim que Paulo se sentia. 

No verso 10, Paulo faz outra lista, agora como comparação entre quem os apóstolos eram e quem os irmãos de Corinto se achavam ser. Três coisas muito valorizadas na época e até hoje: sabedoria, força e status. Eles se achavam sábios, mas Paulo diz: somos loucos por Cristo. Eles se achavam fortes, mas Paulo diz: somos fracos por Cristo. Eles se achavam nobres, mas Paulo diz: somos desprezíveis. 

Agora, como viver diante dessa realidade que Paulo descreve sem entrar em uma crise existencial? É que para Paulo,há uma terceira afirmação que não está explicita, mas completamente implícita nos versos seguintes. 

3. Ninguém queria um tratamento melhor do que o Cristo teve. V. 11-13. 
É Paulo quem escreve, trago no corpo as marcas de Cristo. Gálatas 6.15. É ele quem diz, tenham o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que se esvaziou, seu humilhou e sofreu. Filipenses 2.1-7. 

Paulo sabia que, como bom ministro de Cristo Jesus e bom despenseiro dos mistérios de Deus, ele não poderia querer um tratamento diferente do que o seu Senhor recebeu, e nos versos 11 a 13, ele vai citar alguns dos sofrimentos que havia passado, e em todos ele se assemelhava a Jesus Cristo.

“As experiências deles eram as de Cristo; estamos passando fome (Lc 4.2), sede (Jo 19.28), sendo tratados brutalmente (Mc14.65), não temos residência certa (Lc 9.58), somos amaldiçoados (IPe 2.23), perseguidos (Jo15.20)”. todas essas citações estão no verso 11. 

No verso 12 ele continua dizendo do seu esforço para não pesado na obra, e sabemos o quanto Jesus trabalhou em seu ministério. Paulo, quando amaldiçoado, faz como Cristo: Pai perdoa porque eles não sabem o que fazem. Paulo foi perseguido e caluniado até a morte, assim como o Senhor Jesus. 

Os apóstolos do passado foram tratados como a escória, o lixo do mundo, perseguidos e mortos como Cristo foi. 
Se nossas expectativas com o evangelho forem essas, dificilmente nos sentiremos orgulhosos. Então como podemos controlar o nosso orgulho?

Ser, ter e fazer são ações que vivemos diariamente, mas saiba:

  • Diante de Deus somos todos iguais.
  • Tudo que temos, somos ou fazemos é por causa da graça e misericórdia de Deus.
  • Somos servos
  • Despenseiros 
  • Ministros 
  • Filhos 
  • Se temos vida boa e tranquila, se não sofremos como Paulo e os apóstolos sofreram é graça misericórdia de Deus
Rodrigo Silva