A espiritualidade e o amor

MENSAGEM: O amor é o dom supremo e um elemento típico de maturidade da espiritualidade cristã.

INTRODUÇÃO

A. Recordando

Como temos estudado nesta série em 1 Coríntios, a Igreja em Corinto tinha uma série de dúvidas e problemas, na área doutrinária e relacional e comportamental, e o apóstolo Paulo está tratando destas questões…

No domingo, 24.02.2019, nesta série de mensagens em 1 Coríntios, refletimos sobre "A espiritualidade e o serviço”, 1 Co 12. Vimos que, “O ponto de partida da espiritualidade cristã é a confissão, no Espírito Santo, de Jesus Cristo como o Senhor, e a  manifestação desta espiritualidade é o serviço no contexto da igreja - corpo de Cristo". (1)

B. A espiritualidade e o amor, 1 Co 13

12.31a Entretanto, procurai com zelo, os melhores dons

Na igreja de Corinto havia uma manifestação dos dons, mas, as divisões, o egoísmo, o orgulho, …, revelavam a ausência do genuíno amor de Deus.

1 Co 13 está no contexto das funções dos membros do corpo de Cristo - igreja. Onde, com unidade, diversidade, e interdependência, cada membro em amor deve servir segundo os dons espirituais concedidos graciosamente e por vontade de Deus Pai - Filho - Espírito Santo, com o propósito da edificação do corpo.

12.31b … E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

Qual era (é) o caminho sobremodo excelente? O dom supremo?

O amor é o dom supremo e um elemento típico de maturidade da espiritualidade cristã.

Analisemos 3 abordagens divinas sobre o amor...

I. O amor é o fator autenticador  das obras aprovadas por Deus, 13.1-3.

A. A eloquência (oratória) sem o amor divino é apenas barulho.

13.1 Ainda que eu fale as línguas (‘glossa’) dos homens (‘anthropos’) e dos anjos (‘aggelos’), se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

'Línguas dos homens' (At 2.8-11; 1 Co 14.18,19)… ‘… dos anjos’, uma possível referência a ‘língua dos céus’ (2 Co 12.4).

A eloquência (oratória) sem o amor divino é apenas barulho, não transmite nada de valor sob a perspectiva divina.

B. Conhecimento e realizações sem o amor divino não dignificam.

13.2 Ainda que eu tenha o dom de profetizar (‘propheteia’) e conheça todos os mistérios (‘musterion’) e toda a ciência (‘gnosis’) ; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.

'Profetizar', transmitir a verdade de Deus (1 Co 12.10; 14.3,4); 'Mistérios', segredos ocultos que foram revelados (12.8; Ef 3.9), e, ‘ciência’, conhecimento (1 Co 12.8; 8.1,2) …

‘Fé… Transportar montes…’, realizações extraordinárias (12.9; Mt 17.20) …

Conhecimento e realizações sem o amor divino não nos dignificam diante de Deus.

C. Atos beneficentes e auto-sacrificiais sem amor de nada aproveitam

13.3 E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

Atos beneficentes e auto-sacrificiais sem amor não trazem nenhuma benefício espiritual para nossa vida.

O amor é o fator autenticador  das obras aprovadas por Deus.

II. As características do amor, 13.4-7

Gl 5.22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, 23mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.”

 13.4O amor épaciente (‘makrothumeo’), é benigno (‘chresteoumai’); o amor não arde em ciúmes (‘zeloo’), não se ufana (‘perpereuomai’), não se ensoberbece (‘phusioo’),5não se conduz inconvenientemente (‘aschemoneo’), não procura os seus interesses (‘heautou’), não se exaspera (‘paroxuno’), não se ressente (‘logizomai’)do mal; 6não se alegra(‘chairo’) com a injustiça, mas regozija-se(‘sugchairo’) com a verdade; 7tudosofre (‘stego’), tudo crê (‘pisteuo’), tudo espera (‘elpizo’), tudo suporta (‘hupomeo’). ((Nota: palavras gregas, (1))

(4) O amor persevera diante de ofensas, e promove o bem, não é possessivo, não se promove, nem é arrogante, cheio de si; (5) tem boas maneiras, não usa palavras e atos ofensivos, não procura levar vantagem, é longânime, não é raivoso, não armazena ressentimentos; (6) não se alegra com o mal, e sim com o que é correto; (7) protege, confia, espera, permanece firme no que Deus ama.

III. A durabilidade e a grandeza do amor, 13.8-13

8O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará;

O amor é realmente a única coisa que perdura quando tudo acabar. Mas, quando acabar o amor tudo mais perde valor.

9porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. 10Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. 11Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. 12Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.

Dia a dia, sob a graça de Deus, no Espírito Santo, o verdadeiro cristão deve crescer na maturidade em Jesus Cristo (Ef 4.13,14; Hb 5.11-14; 1 Co 14.20)... Mas, a plena maturidade e o pleno conhecimento ocorrerão somente “quando vier o que é perfeito (‘teleios’)” - isto é, no “estado eterno”, quando  o discípulo  Jesus Cristo se encontrar com  Deus Pai - Filho - Espírito Santo na eternidade, seja pela morte, arrebatamento da igreja, ou na segunda vinda de Jesus Cristo (1 Jo 3.1-3; Fp 2.12-16; 1 Co 15.50-58).

Conclusão

Enquanto neste mundo…

13.13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.

Fé (‘pistis’), atitude de confiança em Deus e sua palavra (Rm 1.17; Hb 1.1,6); esperança (‘elpis’), regozijo e expectativa confiante da eterna salvação (Cl 1.5, 27; Rm 15.4,13); amor (‘ágape’), “a valorização altruísta do objeto amado” (Ryrie).

O amor é o dom supremo e um elemento típico de maturidade da espiritualidade cristã.

Esse amor é fruto do Espírito Santo - Gl 5.22a Mas o fruto do Espírito é: amor…”.

Este amor não é apenas sentimento, é um ato de vontade. O verdadeiro amor tanto envolve o que você sente, como o que você faz.

14.1aSegui o amor

Em Jo 13, Jesus Cristo apresenta o “amor uns aos outros” como distintivo da comunidade dos seus discípulos - “35Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”.

Em Mt 22, ao ser perguntado sobre “36 Mestre, qual é o grande mandamento da Lei? 37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. 38Este é o grande e primeiro mandamento. 39O segundo semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 40 Destes dois mandamentos dependem toda Lei e os Profetas”.

Jesus ensina que o grande mandamento é “amar a Deus” e “amar o próximo”.

Em Rm 13, lemos: 8 A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei. […] 10 O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.

O amor ‘ágape’, amor divino; caracteriza Deus (1 Jo 4.8); e, o que Ele manifestou ao dar Seu Filho - Jesus Cristo (Jo 3.16).

Tudo que Deus é e faz manifesta seu amor - criação, salvação eterna, no cuidado diário, na confrontação do pecado e do pecador, na disciplina, na restauração, na condução de nossas vidas etc.

Nossa vida, nossas ações, …, revelam o dom supremo do amor?

O amor é o dom supremo e um elemento típico de maturidade da espiritualidade cristã.

(1) Portuguese Strong’s Dictionary, TDNT, Bible Study.

Lembre-se:

A sua responsabilidade, debaixo da graça e capacitação divina é a de perseverante, e confiantemente aplicar os princípios e as verdades divinas que tens ouvido (Fp. 2.12,13; 1 Tm. 4.7-9; Tg. 1.22-27). Ao meditar nesta mensagem, pergunte-se:

  • O que  Deus quer transformar no meu modo de pensar e agir?

  • Como eu posso colocar isso em prática na minha vida?

  • Qual o primeiro passo que darei nessa direção (para que haja real transformação em minha vida)? 

Conheça... Creia... Aproprie-se... E, pratique a verdade divina para que experimentes a vida plena que há em Jesus Cristo (João 10.10).

Pr. Domingos Mendes Alves.

Domingos M. Alves