Igreja – a benção do viver em paz e santidade! Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem a santidade ninguém verá o Senhor.

Hb. 12.14-17

Introdução:

"Mas vocês chegaram ao monte Sião, à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo. Chegaram aos milhares de milhares de anjos em alegre reunião, à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus. Vocês chegaram a Deus, juiz de todos os homens, aos espíritos dos justos aperfeiçoados,” Hb 12.22-23.

 

Igreja - assembleia dos santos, cujos nomes estão inscritos nos céus. Que tem o Senhor Jesus, como o grande Pastor das ovelhas - proteção e direção.

 

Hb 13 - “20 O Deus da paz, que pelo sangue da aliança eterna trouxe de volta dentre os mortos o nosso Senhor Jesus, o grande Pastor das ovelhas, 21 os aperfeiçoe em todo o bem para fazerem a vontade dele, e opere em nós o que lhe é agradável, mediante Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém”.

 

A oração do autor, na conclusão de sua carta, é, entre outros, que Deus “... os aperfeiçoe em todo bem”, e o propósito de tal aperfeiçoamento é o de “fazerem a vontade dele (Deus)” e operar neles o “... que lhe é agradável”.

 

O apóstolo Paulo ora pelos Colossenses (e, nós assim devemos orar uns pelos outros), suplicando a Deus, que “... 9b sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. 10 E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus e 11 sendo fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força da sua glória, para que tenham toda a perseverança e paciência com alegria, 12 dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz.”

 

No capítulo 12 de Hebreus o autor fala das causas e consequências da disciplina divina, enfatizando que “... Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade” (10), e que a disciplina “... produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados” (11).

 

Em tudo, como vimos em Rm 8 (Série de Mensagens em Rm), Deus opera em nós o que Lhe é agradável, para que tenhamos um caráter semelhante a Jesus Cristo...

 

Mensagem: Deus pela sua infinita graça nos aperfeiçoa, para que vivamos segundo a ética, os princípios e valores do Seu Reino, vivendo em paz e santidade, nos alegrando Nele, edificando outros e O glorificando.

 

Em Hb 12, Deus exorta a prosseguir na corrida cristã, assim como um atleta deveria prosseguir rumo ao alvo...

 

12 Portanto, fortaleçam as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes. 13 “Façam caminhos retos para os seus pés”, para que o manco não se desvie, antes, seja curado”. 14 Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem a santidade ninguém verá o Senhor.

 

Is. 35.3 “Fortaleçam as mãos cansadas, firmem os joelhos vacilantes; digam aos desanimados de coração: sejam fortes, não temam!” - Neste contexto o profeta está falando sobre a alegria dos redimidos.

 

Nesta corrida devemos, entre outros princípios, nos esforçar, 12.14 - para viver “em paz com todos...” (Mt 5.9; Rm. 12.18); e, para sermos “santos...” (Mt 5.8; 1 Pe 1.15)”. Agindo de tal forma estariam salvando a eles mesmos e aos outros, assim como escreveu Paulo para Timóteo – “Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nestes deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1 Tm 4.16) – “salvará”, aqui não do ponto de vista da vida eterna, mas do desviar da fé, do seguir falsos mestres e seus ensinos.

 

Mas, assim como devemos e podemos influenciar outros a prosseguirem de modo vitorioso na caminhada cristã, há o perigo de influenciarmos negativamente, de prejudicarmos os outros na caminhada cristã – 15 “Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos” (cf. Dt 29.18; Hb 3.12; At 15.19).

 

Corremos o perigo de não usufruirmos dos benefícios fornecidos por Deus na Sua graça salvadora e santificadora, e fazermos com que outros, também, não usufruam de tais benefícios. E, isto, por exemplo, ocorre quando há “raiz de amargura”, quando a amargura se desenvolve e se multiplica. E o autor tem em mente alguém da comunidade, da igreja, que envenena, contamina os outros com a sua amargura.

 

“... A amargura resulta de um mau tratamento, real ou suposto”. Não importa se alguém, em realidade, nos tenha maltratado ou se apenas imaginamos ter sido injustiçados. A devastação é a mesma... A tragédia complica-se pelo fato de que a pessoa amarga não só prejudica a si própria, mas o câncer se espalha pelas vidas de outros, fazendo com que “muitos sejam contaminados”. A amargura não é um pecado privado... “Outros são atraídos ao problema e forçados a tomar partido, semeando-se a discórdia entre irmãos...” (Henrichsen, p. 150, 151).

 

Hebreus ilustra isto como o que aconteceu a Esaú, chamando-o de “impuro” e “profano” (12.16; Gn. 25.33). Como Esaú, nós podemos colocar as

vantagens materiais ou sensuais antes da nossa herança espiritual em Cristo – comunhão com Deus e o Seu povo.

 

Deus adverte:

1) “...que ninguém se exclua da graça de Deus...”, 15

Embora a graça de Deus esteja ao alcance do homem, a amargura tira-lhe a capacidade de se apropriar dela. A pessoa amargurada está em pecado, e ela se fecha para a graça, para a ação de Deus nela e por meio dela.

 

2) “... por meio dela, muito sejam contaminados”, 15

Assim como as células saudáveis do organismo podem ser destruídas por células malignas..., assim também outras pessoas são prejudicadas pela pessoa amarga que vive em seu meio.

Pr. Samuel Kamaleson (Retiro da SEPAL, Maio 03), falou sobre amargura, ilustrando com a figura dos soldados na Índia, que quando não ferem seus inimigos na batalha, eles ferem-se a si mesmos, pois a espada não pode ser colocada de volta na cintura, a não se que esteja manchada de sangue. Assim, a pessoa amargurada quando não fere os outros, ela fere-se a si mesma...

 

3) Nem haja... profano, como foi Esaú”, 16.

Ele foi impuro no sentido espiritual, sendo mundano e materialista.

“Impuro” poderia incluir idolatria.

“Profano” significando que deu mais valor às coisas mundanas e materiais, do que as espirituais. Ao refletirmos sobre a vida de Esaú podemos observar como ele se contaminou, e de que modo isso o prejudicou e prejudicou seu relacionamento com seu irmão, Jacó.

“Uma vez atraídos para a rede da impiedade, alguns não têm como reparar a perda... Um fluxo constante de lágrimas pode ser a expressão apropriada do lamento, mas não consegue endireitar o erro. O mal já foi feito. Não há como reparar o dano causado à medida que o fruto da amargura se espalha” (Henrichsen, p. 151). – cf. 12.17.

 

No cristianismo, na graça de Deus, sempre há lugar para o verdadeiro arrependimento, mas nem sempre podemos reparar os estragos que causamos, como fruto da nossa amargura – ex. de Caim, que matou seu irmão Abel...

 

Caminho da cura?

“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos...”, 14.

 

“viver em paz com todos...”, 14.

Não significa paz a qualquer preço, mas somente dentro dos limites daquilo que é biblicamente correto.

Viver em paz não significa apenas ausência de hostilidades, de barreiras, a ausência de inimizades, mas também a promoção do bem estar e o desenvolvimento do relacionamento uns com os outros – Ef. 2.14-17; Mt. 5.9.

 

“e para serem santos...”, 14.

Ser santo é pela fé em Jesus Cristo, e no poder do Espírito Santo, ser separado do mal (o que não agrada a Deus) e ser consagrado a Deus e a prática do bem (o que agrada a Deus).

 

Em meio as nossas crises relacionais, nós precisamos manter uma perspectiva correta.

Lembremo-nos de que Deus é santo, é soberano e está no controle, e que o nosso problema é primeiramente espiritual (não olhamos para os problemas e ofensas, com a perspectiva divina, e reagimos de modo negativo. Jesus, diante dos maus tratos e insultos, Ele agia (não era reativo) positivamente – 1 Pe 2.23, 24), e não contra as outras pessoas.

Devemos seguir o caminho da paz e da santidade.

Acalmemos nosso coração.

Pela fé tenhamos certeza da bondade, da justiça e da misericórdia e graça de Deus conosco e com o ofensor.

 

12.18-24, fala do contraste entre o monte Sinai (Lei) com o monte Sião (graça)

Em vez de nos apegarmos a Abraão (fé) e ao monte Sião (presença divina / graça), nós corremos o perigo de nos apegarmos a Moisés e ao monte Sinai (Lei). A lei produzia medo, condenação (Dt. 5.24-27; Êx. 19.5-8, 20,21). Assim como o sangue de Abel (Hb 12.24) clamava pela condenação de Caim, a lei ensinava o “olho por olho, dente por dente”.

Mas, a lei, também, revela a justiça, a santidade de Deus, e a nossa pecaminosidade, e mostra a nossa necessidade de Cristo – Nova Aliança. A lei não é a base da nossa relação como Deus. A base é a fé e a graça por meio de Jesus Cristo – onde há aceitação, perdão, relacionamento e vida em pleno amor. O sangue de Cristo (Hb. 12.24), diferentemente do de Abel, clama pelo perdão do pecador, e aí não há espaço para amargura, para contaminar outros, mas para ser um instrumento que transmita “graça” e edificação mútua (Ef. 4.29-5.2).

 

Desafio: Fazer a vontade de Deus é viver em santificação e paz, transmitindo graça divina, e não vivendo em pecado contaminando outros com o veneno da amargura...

 

Examine seu coração... Veja que tipo de influência sobre tem tido sobre a vida de outros e/ou como eles têm influenciado a sua vida...

 

Conclusão

Deus pela sua infinita graça nos aperfeiçoa, para que vivamos segundo a ética, os princípios e valores do Seu Reino, vivendo em paz e santidade, nos alegrando Nele, edificando outros e O glorificando.